A partida poderia ter ficado marcada pelo reencontro de Borges com o Santos, já que o matador da Raposa mostrou o tradicional faro de gol e deixou o seu em Aranha. Mas a noite era dos Meninos da Vila e, principalmente, de Felipe Anderson, camisa 10 do Peixe. Inspirado, ele fez um dos gols e foi de longe o principal destaque do confronto. Além de Felipe Anderson, Durval, Bill e Victor Andrade balançaram a rede pelo time paulista, e Ceará marcou o outro do Cruzeiro.
A torcida mineira ficou na bronca com o goleiro Fábio, que já havia falhado diante da Ponte e novamente foi questionado. Foi a segunda vez no Brasileirão que o Santos marcou quatro gols num jogo - a outra havia sido diante do Grêmio, também na Vila -, mas o ataque nem de longe vinha sendo o forte da equipe, que iniciou a rodada como a menos produtiva no setor ofensivo. Com a vitória, o Santos foi a 16 pontos, três a mais que o Palmeiras, time que encabeça a zona do rebaixamento. O Peixe é o 14º colocado e já não ostenta o pior ataque do Brasileiro - foi a 13 gols, um a mais que Bahia e Portuguesa.
O Cruzeiro, por sua vez, fica cada vez mais longe do G-4, estagnado na oitava posição com 23 pontos, quatro a menos que o Grêmio, quarto colocado e que tem um jogo a menos - atua diante da Ponte Preta, nesta quinta-feira, em Campinas.
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Buscando um público maior (foram apenas 3.215 pagantes na Vila, com renda de R$ 73.475,00), o Santos mandará seu próximo jogo no Pacaembu - sábado, às 18h30, contra o desesperado Atlético-GO. Já o Cruzeiro volta a jogar como visitante, também no sábado, diante do Bahia, em Pituaçu.
Gols só de 'santistas'
As derrotas de Santos e Cruzeiro na última rodada já sugeriam uma partida movimentada na Vila Belmiro, com os dois times buscando a reabilitação. Mas o primeiro tempo superou as expectativas na emoção e até nos gols.
Matador da Raposa, Borges reencontrou seu ex-clube e fez questão de abraçar os companheiros antes de a bola rolar. Quando o apito soou, porém, a amizade ficou de lado e o camisa 9 do Cruzeiro mostrou a mesma disposição da primeira temporada pelo Peixe. O centroavante foi o melhor do time mineiro em campo.
No Santos, Muricy Ramalho voltou a apostar nos Meninos da Vila Felipe Anderson, Leandrinho e Victor Andrade. A escolha deu certo, e o time começou pressionando, primeiro com falta perigosa cobrada por Adriano, mas defendida por Fábio.
Muito criticado pelos torcedores por conta de falhas na derrota para a Ponte Preta, o goleiro da Raposa ouviria mais vaias após o primeiro gol do Santos. Bill apareceu pela esquerda e rolou na entrada da área para Felipe Anderson. Destaque do Alvinegro na etapa inicial, o garoto emendou uma bomba de perna esquerda, que chegou a resvalar nas mãos de Fábio, mas foi para a rede. Chuva de xingamentos ao arqueiro dos cruzeirenses na Vila, aos 21 minutos.
Não houve muito tempo para os santistas comemorarem. Aos 28 minutos, eles ouviriam um grito conhecido no estádio: "Uh, terror! O Borges é matador". Em jogada ensaiada, o lateral Ceará cruzou no segundo pau, Léo desviou e o camisa 9 não perdoou Aranha. Festa dos mineiros na Vila.
O empate também não ficaria no placar por muito mais tempo. Com má atuação da dupla de volantes Leandro Guerreiro e Sandro Silva, Felipe Anderson seguia se destacando, auxiliado por Leandrinho, recém-promovido da base e que tem apenas 18 anos. Foi dos pés do volante revelado na base do Santos que saiu o cruzamento vindo da esquerda para Victor Andrade, que é ainda mais jovem - tem 16 -, fechar na pequena área e só empurrar para a rede. O primeiro gol como profissional o "enlouqueceu" na comemoração, a ponto de Muricy pedir calma ao garoto.
Apagado, o argentino Montillo só apareceu quando enfiou ótimo passe para Wallyson marcar, mas o atacante estava impedido e o gol foi anulado.
Raposa assusta, mas Santos amplia
Descontente com a atuação do Cruzeiro, o técnico Celso Roth promoveu duas alterações já no intervalo: trocou Wallyson por Elber, e Sandro Silva por Charles, outro ex-santista. A resposta foi imediata, e a Raposa cresceu rapidamente, a ponto de igualar o placar logo aos cinco minutos. Em falta pela esquerda, no bico da grande área, o lateral-direito Ceará levantou para a área, em direção ao gol. Aranha se precipitou, deu um passo à frente e viu a bola o encobrir, deixando tudo empatado novamente.
O Cruzeiro seguiu pressionando e continuou em cima do Santos, que também não se intimidou com o empate. Para desespero dos mineiros e alegria dos alvinegros, Felipe Anderson, melhor em campo, estava em noite mais do que inspirada. Foi dos pés do camisa 10 que saiu o cruzamento para o terceiro gol santista, em outro lance de bola parada. Após bate e rebate na área, a bola sobrou para Durval completar, aos 14 minutos.
Celso Roth, então, fez sua última substituição, tirando o pouco produtivo Tinga para a entrada de Everton. O efeito prático da alteração, porém, foi quase nulo. Muricy, por sua vez, trocou Leandrinho, que chegou a ficar deitado no chão sentindo uma pancada, por João Pedro. O treinador do Santos teve mais resultado na mudança.
Com três minutos em campo, o versátil João Pedro mostrou serviço. Cheio de gás, deu ótimo passe em profundidade para o lateral Bruno Peres, que foi até a linha de fundo e cruzou rasteiro para Bill completar, aos 32 minutos. O centroavante fez seu primeiro gol com a camisa do Peixe e encerrou uma seca de quase nove meses, já que sua última bola na rede havia sido no dia 17 de novembro, pelo Coritiba.
Irritados com o resultado, boa parte dos cruzeirenses deixaram a Vila Belmiro mais cedo. Já os santistas ainda puderam aplaudir Felipe Anderson, destaque da partida e substituído por Juan no final da partida, e quase comemorar o quinto gol santista, evitado por Fábio em boa finalização de João Pedro. Ainda teve tempo para Élber, que entrou no segundo tempo, ser expulso, ao receber o segundo amarelo por se jogar na área.

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