O Cruzeiro entrou em campo já ciente do resultado da partida do Grêmio, principal rival na disputa pelo título brasileiro, que foi derrotado pelo Criciúma, por 2 a 1, em Porto Alegre. Assim, uma vitória sobre o São Paulo, em Belo Horizonte, aumentaria a vantagem na liderança para 14 pontos e deixaria o time mineiro em condição espetacular rumo à conquista da competição nacional. E a Raposa era favorita, ainda mais por jogar em casa. Desde que foi reinaugurado, o Mineirão se tornou um trunfo para o Cruzeiro, que venceu 20 das 21 partidas realizadas no estádio, além de um empate. Mas, nesta quarta-feira, bateu de frente com um adversário cheio de brios, disposto a acabar com a invencibilidade celeste na capital mineira. O São Paulo, muito bem armado pelo técnico Muricy Ramalho, venceu o Cruzeiro por 2 a 0, se manteve fora da zona de rebaixamento e segurou o líder do Brasileirão, que não perdia há 12 jogos pelo torneio. Os gols foram marcados por Douglas e Éverton Ribeiro, contra.
O Cruzeiro não perdia no Mineirão desde o dia 12 de maio de 2010. Curiosamente, o último revés da equipe de Belo Horizonte havia sido para o São Paulo, também por 2 a 0. Porém, o resultado, embora tenha decepcionado os mais de 40 mil torcedores presentes no estádio, manteve a vantagem celeste na ponta do Brasileirão. O Cruzeiro permanece com 59 pontos, 11 a mais que o Grêmio. O São Paulo, que viu seus principais concorrentes na luta para fugir do Z-4 vencerem, se mante na 16ª posição, com 33 pontos, um a mais que o Vasco, primeiro na zona de rebaixamento. O time carioca bateu o Fluminense, o Criciúma passou pelo Grêmio, e o Coritiba derrotou o Santos. Também por isso, a vitória era fundamental.
O Tricolor Paulista, comandado em campo por Paulo Henrique Ganso, que fez ótima partida, teve tranquilidade para segurar o ímpeto dos donos da casa, principalmente no início do segundo tempo. Com o jogo controlado, matou o jogo, com dois gols em cinco minutos. Foi a segunda vitória seguida do São Paulo, que, na próxima rodada, enfrentará o Corinthians, no domingo, dia 13, às 16h (de Brasília), no Morumbi. Chance para provar que o crescimento na competição é consistente.
Já o Cruzeiro, que também terá um clássico pela frente - encara o Atlético-MG, nos mesmos dia e horário - terá a chance de mostrar que o tropeço foi acidental. O confronto com o Galo, mandante do jogo, será no Independência, com a maioria da torcida alvinegra presente no estádio.
Aplicação tática
O São Paulo começou a partida marcando no campo de ataque, o que dificultou o jogo do Cruzeiro e mudou a forma de a equipe mineira atuar. Como não conseguiu exercer a pressão dos últimos jogos, o time de Marcelo Oliveira precisou de paciência para romper o bloqueio armado por Muricy Ramalho.
Nos primeiros minutos, tudo ficou concentrado entre as duas intermediárias, com poucas chances de gol. Com o passar do tempo, porém, algumas oportunidades surgiram, e Cruzeiro e São Paulo estiveram perto de abrir o placar. Willian perdeu uma chance claríssima de gol, após rebote de Dênis em chute de Ricardo Goulart. Um lance inacreditável. A bola sobrou livre, e o atacante acertou a trave. As melhores chegadas do Tricolor foram com Paulo Henrique Ganso e Rodrigo Caio.
A aplicação tática do São Paulo foi premiada com o que poucos conseguiram no Mineirão, neste Brasileirão. O time paulista conseguiu descer para o vestiário, no intervalo, sem ter levado gols do Cruzeiro.
Vitória tricolor
No segundo tempo, o Cruzeiro, diferentemente da primeira etapa, pressionou e atacou o São Paulo. O time mineiro criou boas oportunidades de gol. Como os resultados da rodada mandavam o Tricolor de volta ao Z-4, não restava outra alternativa aos paulistas a não ser atacar também. Com isso, o jogo ficou aberto e muito movimentado, tecnicamente bem superior aos 45 minutos iniciais.
Insatisfeitos com o 0 a 0, os técnicos mexeram em seus times. Marcelo mandou Dagoberto para o jogo, e Muricy colocou Welliton. O volume de jogo do Cruzeiro continuou forte, mas o São Paulo tocava a bola com mais eficiência e vontade. Até que, de tanto acreditar, abriu o placar. Maicon tocou para Ademílson, que fez o trabalho de pivô e rolou para Douglas soltar a bomba, aos 30 minutos.
Quatro minutos depois, o São Paulo ampliou a vantagem. Ganso bateu falta na barreira, Ademílson pegou o rebote e cruzou na cabeça de Reinaldo, que, com o gol vazio, só teve o trabalho de empurrar para as redes. Porém, o árbitro assinalou gol contra de Éverton Ribeiro, que disputou a bola com o atacante tricolor.
Com a vantagem, restou ao São Paulo administrar a vitória, construída com o talento de Paulo Henrique Ganso. O Cruzeiro tentou diminuir o placar, mas, de forma desordenada, pouco produziu.

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